fonte: Folha de SP

Possivelmente essa não era a resposta que você esperava ou gostaria de ver, mas não é possível acelerar ou acabar de uma vez com o luto.

Os sentimentos envolvidos com o luto estão entre os piores que podem ser vivenciados por uma pessoa. “É saudável, necessário e horroroso”, diz Elaine Alves, pesquisadora do LEM (Laboratório de Estudos Sobre a Morte).

Por isso mesmo, a ideia de superar esse sentimento pode não ser apropriada para lidar com a tristeza. Viver o luto é a melhor opção.

“Luto não é um obstáculo a ser superado, é uma experiência importante”, diz Maria Helena Franco, coordenadora do Lelu (Laboratório de Estudos e Intervenções sobre Luto), da PUC-SP.  “Vivemos em uma sociedade em que é proibido ficar triste”, complementa Alves.

É importante, nessa fase, falar —e, caso você seja próximo ao enlutado, ouvir— sobre a pessoa que morreu. Não há nada de errado em contar histórias sobre a pessoa morta, ter contato com os objetos e até sentir as roupas de quem não está mais por perto. Tudo isso pode fazer parte do processo natural de luto. “Não é porque a pessoa morreu que ela desapareceu da sua vida. Ela faz parte da história”, diz Alves.

Além disso, algumas outras ações podem ser tomadas por quem está em luto, segundo Franco:

LUTO

  1. Companhia

    Não se isole, procure falar sobre a pessoa e o que está sentindo

  2. Apoio

    Busque uma rede de apoio, seja ela social ou religiosa

  3. Processo

    Não tente apressar o luto

As especialistas afirmam que não há um período de duração específico para o luto saudável. Em alguns casos, como na morte de filhos, o sentimento pode durar anos.

Em alguns casos, a pessoa pode experimentar o que é conhecido como luto complicado. Essas situações costumam estar relacionadas a mortes mais traumáticas e inesperadas, como em acidentes, desastres e suicídios, e também ao nível de dependência que se tinha com o morto.

O luto complicado pode ser caracterizado por uma dificuldade de retomar a vida ou até mesmo pela negação constante da dor, como se nada tivesse acontecido.

Nesses casos —e quando não há uma rede de apoio em volta— procurar por ajuda psicológica pode ser uma boa alternativa.

A pesquisadora da USP afirma que é normal haver oscilações no processo, com momentos em que se vive mais em função da perda e, em seguidas, outros nos quais se vive mais em função da vida que há pela frente.

CRIANÇAS

O luto é uma experiência diferente para adultos e crianças. A coordenadora do Lelu diz que é necessário ser honesto com os pequenos e tratar o assunto sem tabus.

“Você precisa falar que a pessoa morreu. Quer falar que virou estrelinha, ok, a gente respeita. Mas para virar estrelinha precisa morrer antes”, diz Franco. “O vovô morreu, o cachorro morreu. E então falamos que quando alguém morre não volta mais.”

Existe a possibilidade de, em um primeiro momento, a criança não entender direito o que a morte significa. Por isso, os pais devem responder com sensibilidade as perguntas que surgirem e evitar muitas informações ao mesmo tempo.

Algumas crianças, ao lidar com o luto, podem apresentar problemas na escola e de comportamento.

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