fonte: O GloboA professora Renata Lujan tinha terminado a faculdade e estava às voltas com os preparativos de seu casamento quando notou um volume anormal entre uma das mamas e o braço.

— Eu entrei no consultório médico como uma pessoa saudável. E saí de lá como uma paciente de câncer de mama — conta Renata, de 35 anos.

Um ano e quatro meses depois, ela descobriu que tinha lesões no fígado. O câncer era metastático:

— Minhas relações foram transformadas. Disse para o meu marido: “Não sei o que pode acontecer comigo”. E ele me perguntou: “Você pode morrer?”.

Histórias como a de Renata se repetem entre as pacientes que enfrentam um câncer avançado. Segundo pesquisa patrocinada pela farmacêutica Pfizer, pacientes e familiares convivem com o temor da morte depois de um diagnóstico de metástase. Segundo o levantamento, que ouviu 170 mulheres e 240 pessoas próximas a elas em nove capitais brasileiras, o sofrimento experimentado por quem acompanha é comparável, ou até superior, ao daqueles que foram diagnosticados com a doença.

O câncer de mama é aquele com maior incidência entre as mulheres no Brasil: são 60 casos a cada 100 mil brasileiras. A maioria dos casos é diagnosticada ainda nos estágios iniciais. O tratamento precoce, no entanto, não é capaz de evitar que 30% das pacientes desenvolvam metástase, quando as células tumorais se espalham pelo organismo.

Segundo o levantamento da Pfizer, que produz medicamentos contra esse tipo de câncer, 72% das 170 pacientes consultadas relataram “muito sofrimento” psicológico desde que foram diagnosticadas. E 88% dos familiares disseram experimentar o mesmo tipo de sentimento.

A notícia afeta companheiros e filhos: alguns se afastam, por não saber como lidar com a situação. Na amostra que participou da pesquisa, 46% das mulheres estavam casadas antes do diagnóstico. Depois da descoberta da doença, 5% delas se separaram.

A vida profissional também é abalada: 49% abandonaram o emprego, e a maioria das mulheres afirmou não ter conseguido flexibilizar horários de modo a conciliar trabalho e tratamento. Em compensação, 76% delas disseram ter sonhos e projetos para o futuro, e contam ter realizado muitos deles.

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