2013-665602963-2013111865361.jpg_20131121fonte: O Globo

Uma “cabaninha”, duas cadeiras, um lençol e a imaginação de uma criança. Na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, o faz de conta foi além de somente uma brincadeira e se tornou aliado no tratamento contra o câncer infantil. A terapeuta ocupacional Nathália Rodrigues Garcia-Schinzari comprovou os benefícios da prática em uma pesquisa com 15 jovens de 4 a 7 anos, fase em que o brincar simbólico está mais presente.

– Desde a graduação sempre tive interesse pela área do câncer infantil. Comecei a fazer parte de um programa de extensão chamado “Caixa de Histórias” em que os participantes contavam histórias para crianças hospitalizadas. Quando comecei a contar histórias na ala da Oncologia Infantil, me apaixonei e atuo nessa área desde então – contou Rodrigues.

Após o fim de sua graduação, a terapeuta continuou seus estudos na área e percebeu o brincar como um recurso muito rico, já que “auxiliava no enfrentamento da hospitalização e da patologia em si”. Orientada pela professora Luzia Iara Pfeifer, a recente pesquisa foi desenvolvida com crianças diagnosticadas com câncer, que eram atendidas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP) da USP e, algumas, pelo Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Ribeirão Preto (GACC – Ribeirão Preto).

– Geralmente as crianças estavam na sala de espera para a consulta médica. Depois da autorização do familiar e da própria criança, eu levava a criança para uma sala vazia e o “cenário” da brincadeira já estava montado. Ela, então, se sentava em frente à “cabaninha” e eu mostrava alguns brinquedos dizendo que ela podia brincar com o que quisesse – explicou a terapeuta e complementou que a avaliação foi filmada para facilitar a interpretação dos dados posteriormente.

Carrinhos, bonecos, animais, panos e caixas estavam entre as distrações oferecidas individualmente para cada criança. De acordo com Rodrigues, as crianças trouxeram “de forma bem espontânea” as temáticas como morte, efeitos colaterais do tratamento, afastamento da escola, convivência familiar.

– Muitas até esqueceram que estavam sendo avaliadas e brincaram normalmente como qualquer criança que não está doente brincaria – lembrou.

Para a estudiosa, a brincadeira auxilia na expressão dos sentimentos, dos medos e das dúvidas quanto ao adoecimento e na compreensão do que está acontecendo. Isso é, todas as dúvidas que a criança tiver, ela vai trazer para a brincadeira e, segundo Rodrigues, esse é o momento em que o profissional da saúde deve intervir.

– Por exemplo: algumas crianças falam que o boneco tem uma doença muito grave e que não sabe se ele vai ficar bom. O profissional, então, percebe que a criança está falando dela mesma e consegue abordar a temática de forma a tranquilizar a criança. Quando a criança compreende o momento pelo qual está passando ela se sente mais confiante e segura para enfrentar a doença de uma maneira positiva – concluiu.

Comum em hospitais no Brasil e no mundo, o estímulo às atividas lúdicas é geralmente utilizado pela equipe de Terapia Ocupacional, Psicologia e Enfermagem.

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