fonte: O Globo

Os casos de Covid-19 em jovens chamam a atenção, mas o espalhamento do coronavírustambémtemvitimado crianças.Emboraonúmerode casos de doença grave e morte entre elas não seja expressivo, é um alerta de seu papel na pandemia, observa a pneumologista Margareth Dalcolmo.

O Portal da Transparência do Registro Civil, por exemplo, indica que 12,5% das mortes por síndrome respiratória aguda grave (Srag) no Brasil, um indicador da Covid-19, são de crianças com menos de 5 anos de idade. E, no município do Rio de Janeiro, segundo o portal Covid-19 Brasil, 12% dos infectados pelo coronavírus têm menos de 9 anos.

— Há poucas mortes de crianças, mas elas mostram por que não se pode reabrir as escolas. Elas são elo fundamentalnacadeiadetransmissãodo coronavírus —diz Dalcolmo.

Exemplo do avanço do coronavírus sobre as crianças é o drama dos internados na UTI pediátrica dedicada à Covid-19 do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Uerj. No último fim de semana, um bebê de seis meses e quatro crianças e pré-adolescentes, a mais velha delas de 15 anos, lutavam pela vida lá.

— Nem todas sofrem de outras doenças que as deixam mais suscetíveis ao coronavírus. Ainda não sabemos bem como o vírus impacta as crianças. Talvez fatores genéticos que desconhecemos e não são evidentes aumentem o risco de uma criança desenvolver Covid-19 grave — afirma o pediatra José Luiz Bandeira, vice-diretor do hospital.

Segundo ele, têm chamado a atenção casos de bebês que podem ter contraído o coronavírus por meio da amamentação, embora essa via de contágio não esteja comprovada ainda.

Também preocupam os casos de bebês sem o coronavírus, mas que nasceram prematuros porque as mães desenvolveram Covid-19 grave e acabaram órfãos porque elas não resistiram à doença.

—O coronavírus é terrível e imprevisível —diz o pediatra.

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